Sociologia - 3 Ano - CULTURA: CRIAÇÃO OU APROPRIAÇÃO?

Sociologia 3º Ano

 

CULTURA: CRIAÇÃO OU APROPRIAÇÃO?

 

 

Cultura: É tudo que as diferentes raças e as diferentes etnias possuem em matéria de vida social, o conjunto de leis, costumes, crenças, expressões artísticas e literárias...ou seja, é a totalidade que abrange o comportamento individual e coletivo de cada grupo, sociedade, nação ou povo.

 

 

Você sabe qual a utilidade de um instrumento chamado cabresto?

 

 

Bom, mas a cultura pode ser um cabresto?

E aí, deu um nó na sua cabeça? Ficou confuso? Vamos esclarecer!

Lembra-se do período iluminista? Nos séculos XVII e XVIII, a Europa

passava por profundas transformações sociais. A burguesia estava em

ascensão, o regime absolutista e aristocrático estava declinando. O momento era o da busca da liberdade, o homem procurava em si mesmo explicação para sua vida e para a sociedade, não necessitava ou

não queria mais as explicações religiosas e místicas. O científico, ou

seja, tudo o que é testado pela experiência do próprio homem, passou a ter VALOR.

 

 

Com o estabelecimento do capitalismo, o modo de vida burguês passa a ser dominante, fortemente influenciado pelos ideais iluministas. As obras artísticas e literárias e, principalmente, as artes plásticas começam a representar ou "impulsionar" os valores desta nova classe,

assim como o seu requintado estilo de vida.

Voltando à Idade Média, as manifestações culturais literárias e artísticas Barrocas que tratavam os valores religiosos e artísticos, assim como o modelo de vida do absolutismo e do poder da Igreja sobre a vida das pessoas é substituído e entra em cena o Arcadismo. Este se opondo ao "velho" modo de vida religioso começou a se basear nos ideários iluministas, representando por meio da pintura, da música, da literatura e da arquitetura, o domínio da razão, que se expandia por toda a Europa. Entrando nos séculos XVII e XVIII, a burguesia nascente deste período mergulha nestes novos ideários, descobre que pode usufruir uma vida refinada e culta, porque reafirmava enquanto classe dominante seus valores e modo de vida.

 

Mas você pode dizer: "A cultura tem tudo a ver com as obras literárias e artísticas!" E tem mesmo!

 

Mas, além de vermos a arte e a literatura dos

povos, apenas, como uma manifestação ou expressão cultural, é necessário para fazermos uma análise da sociedade, entendermos como

a cultura foi se tornando ao longo da história, diferenciada e "usada" pelo sistema capitalista para acumulação e reprodução de capital.

 

 

Ora, desde que a educação passou a ser institucionalizada, ou seja, quando se passou a ensinar os valores, costumes, saberes científicos e os procedimentos técnicos acumulados historicamente, que nada mais é do que a cultura da sociedade, a escola passa a ser o lugar

onde as pessoas recebem esses saberes. No entanto, as possibilidades

de acesso aos saberes, que são universalizados, ocorrem de maneira

diferenciada.

 Você já parou para pensar quais os saberes necessários ou básicos para a sobrevivência, na sociedade capitalista, principalmente pa-

ra uma pessoa da classe trabalhadora? Quem já não ouviu a frase "estuda menino para ser alguém na vida, ter um trabalho...".

 

 

Ora, as sociedades capitalistas têm em sua gênese a dominação como forma de se impor e um dos meios de legitimação é a cultura. Portanto, quem tem o acesso dos meios institucionais, como a educação,

os meios de comunicação de massa, etc., consegue, de um certo modo, ditar algumas "regras" na sociedade.

 

 

A idéia de refinamento pessoal compreende a aquisição de conhecimentos, a apropriação das normas lingüísticas da escrita, adquiridos

na escola e universidades, lembrando que não se trata de um conhecimento qualquer, mas algo elaborado, sistematizado e reconhecido pe-

la sociedade, no sentido de levar as pessoas a serem "cultas" e "civilizadas".

 

 

O que ocorreu foi que, até o século XIX, "chique" mesmo era as pessoas portarem-se como os europeus, tudo nas casas burguesas era

importado, faziam parte da última moda européia. Hoje, o "chique" é consumirmos o que é da última moda, mas no final do século XIX e

início do XX, com o advento do que se chama cultura de massa e os diferentes modismos, houve certo "enjoamento" daquilo que era erudito. E não foi somente isso, a busca pela liberdade de expressão também contribuiu para a ocorrência de algumas mudanças culturais.

 A partir daí, o que era produzido e criado pelo povo foi apropriado pelos meios de comunicação.

 

 

Livro de Sociologia - Ensino Médio - 2ª ed. , Capítulo 8, SEED-PR, 2006)

cabresto, capitalista, criação, Cultura, cultura de massa, povo

quarta 17 agosto 2011 10:47



1 comentário(s)

  • soeli carvalho mailto Dom 22 Set 2013 02:36
    busco algo mais complexo sobre cultura:criaçao ou apropiaçao


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